Comunicado da direcção do ICV sobre a situação da Náutica em Viana.
TURISMO NAUTICO
PORTO DE VIANA NAVEGA CONTRA A CORRENTE
Algo de desconcertante vai atingindo o porto
de Viana do Castelo, desligando a cidade de um dos seus mais
valiosos factores de desenvolvimento económico e social: o MAR.
A ausência de estratégias na promoção do
seu potencial de turismo náutico, seja no mercado interno ou
externo, associado a uma absoluta incapacidade da prestação de
serviços adequados a uma procura cada vez mais exigente,
transformaram o porto de Viana num instrumento altamente
condicionador e limitativo do desenvolvimento local.
O arranque da construção da marina, nos
anos 80, que então se afigurava como uma obra pioneira no plano
de apetrechamento da costa atlântica portuguesa com a rede de
marinas, converteu-a numa estrutura turístico desportiva
que, mais do que promover o bom acolhimento, cultiva a rejeição
dos seus potenciais utilizadores.
Já não são poucos, os eventos náuticos
como regatas ou ralis náuticos, com origem em
Portugal ou oriundos da Galiza ou países do norte e centro da
Europa, que são desviados para outros portos vizinhos, uma vez
que o porto de Viana não lhes cria condições de acolhimento.
Deste modelo de gestão altamente eficaz,
resulta, em muitas dezenas de embarcações portuguesas que se
vêem obrigadas a procurar águas galegas, por falta de
autorização de permanência no porto de Viana, não obstante, o
porto e o estuário do rio Lima disporem de excelentes águas
abrigadas, capazes de oferecer mais de mil lugares de fundeadouro
ou acostagem.
Mas, para alem da insensibilidade ou
desconhecimento, por parte das autoridades portuárias, do
verdadeiro papel das estruturas náuticas de recreio, como factor
de equilíbrio e formativo da sociedade, descuram a capacidade de
dinamização de pequenas economias como a de Viana do Castelo.
Veja-se, apenas a título de exemplo, o reflexo na economia da
vizinha Galiza, da estratégia de valorização, apetrechamento e
desenvolvimento integrado do turismo e desporto náutico operado
nas rias galegas.
Nos dias que correm, não é possível
vender-se um produto turístico como uma MARINA ou um PORTO DE
RECREIO, com condições de navegabilidade de 3,00m de fundo,
quando as embarcações com calado de 1,50m encalham na
baixa-mar.
Como também é absolutamente
incompreensível que há mais de dois meses, a primeira doca de
recreio nacional, não disponha de posto de abastecimento de
combustíveis a embarcações acostadas ou em trânsito, sendo
muitas destas, embarcações estrangeiras que procuram o primeiro
porto português.
A acrescentar a este rol de lamentações
não se poderia deixar de referir o problema da gestão dos
recursos humanos e seus horários que, em contraciclo com o uso
normal de uma estrutura de turismo e lazer, praticamente encerram
os seus serviços nos períodos de maior afluência de clientes,
ou seja, durante os fins-de-semana.
Perante o
continuado e sistemático desvio dos objectivos imprescindíveis
ao adequado funcionamento desta estrutura portuária de apoio a
náutica de recreio, o IATE CLUBE DE VIANA torna público o seu
protesto, reclamando uma intervenção enérgica e urgente dos
poderes governamentais.
VIANA
DO CASTELO, 23 de Junho de 2007
A
DIRECÇÃO
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